O prazer do limite
In.pata
Gosto de viver no limite — não o físico, mas o intelectual.
Como a criança que obedece à letra ao “não ponhas um pé fora de casa” e coloca tudo menos os pés do lado de fora.
Viver no limite, para mim, é isso: entrar nessas zonas cinzentas onde ética, linguagem, contexto e emoção se entrelaçam. Onde o pensamento fora da caixa é valorizado, em vez de reprimido.
Sempre admirei pessoas capazes de contornar as adversidades de forma criativa, porque nem tudo é preto ou branco. Há várias zonas cinzentas — e a vida adulta, muitas vezes, obriga-nos a caminhar por elas.
Talvez por isso goste tanto de vídeos que mostram maneiras inteligentes de dizer coisas não tão positivas, como melhora o teu arcabouço lexical ou um esquadrão de cavalaria à desfilada na tua cabeça não esbarra contra uma ideia.
O que acho mais difícil de perceber é porque, quando crianças, nos podam esta capacidade em vez de a incentivar. Fazem com que ela quase desapareça e depois, em adultos, esperam que renasça — qual fénix. Querem que busquemos soluções criativas, mas depois de anos a bloqueá-la, é difícil recuperá-la.
No fundo, gosto dessa tensão.
Gosto de olhar o perigo de frente — mas só no plano intelectual.
Porque a vida é um jogo.
E nem sempre podemos falar ou fazer tudo.
