Reparar em nós próprios
In.pata
Já repararam que parece sempre difícil responder a perguntas sobre nós próprios?
Nunca percebi bem o que se passava. Somos capazes de responder sobre os gostos dos nossos amigos e as manias dos nossos familiares. Mas quando se trata de nós — com quem convivemos 24 horas por dia, desde que nascemos — dá-nos uma branca, como se fosse a primeira vez que reparamos em nós.
Um dia um amigo contou-me uma dessas atividades de team building que estão na moda para aproximar os colegas. A ideia era simples: partilhar um hábito inconsciente. Para ele, foi relativamente fácil. Para mim, não tanto — fiquei dias a pensar num gesto pouco lógico.
Agora já consigo apresentar dois.
O primeiro: sempre que faço algo em que não utilizo a visão — como prender o cabelo — fecho os olhos. Talvez seja a forma de o meu cérebro dizer: “se não vais usar a visão, mais vale ter os olhos fechados”.
O segundo é mais difícil de explicar. Sempre que estou concentrada a aprender algo novo — algo que envolva fazer ligações entre vários assuntos — levanto a mão, mais ou menos à altura da cabeça, e começo a mexer os dedos como se tocasse piano. Se sei tocar piano? Não, nunca soube. No entanto, acho os movimentos bastante interessantes, graciosos. É como se estivesse a alinhar os diferentes pensamentos, a criar uma melodia.
Talvez não seja suposto ter sempre uma resposta sobre nós. Talvez a resposta mude ao longo do tempo.
Mas acho que vale sempre a pena tentar perceber como funcionamos melhor, que gestos nos acompanham discretamente, como aprendemos.
Não para uma atividade de team building, mas para sabermos guiar-nos um pouco melhor pelas escolhas que fazemos.
