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Entre Palavras e Patas

Entre Palavras e Patas: ideias que me acordam de madrugada, pensamentos no trânsito e observações que não saem da cabeça. Histórias tortas, café, reflexões e um gato que manda nisto. Bem-vindo!

16
Out25

Croquetices


In.pata

 

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O Croquete achou que não estava a ter a atenção que merecia neste espaço.
Então decidiu que as últimas semanas seriam focadas nele.

Há duas semanas o Croquete — sempre esfomeado por natureza — deixou de comer.
E começou a ficar mais calmo.
Quem tem filhos sabe perfeitamente o que isto quer dizer.
Nunca é um bom sinal.

Quando saí do trabalho e ele ainda não tinha comido, decidi que era melhor levá-lo logo ao veterinário.

Dado o histórico dele de comer coisas que não são propriamente nutritivas, quando cheguei ao hospital avisei logo que suspeitava que ele pudesse ter comido um elástico de cabelo.

Para perceber melhor o que se passava, o Croquete teve de fazer uma ecografia, o que implica ser anestesiado.
No caso dele — como tentei avisar — uma boa anestesia.
Quando regressei depois dos exames estarem concluídos, o veterinário — que inicialmente não acreditou em mim — estava com aquela expressão de quem está prestes a admitir que se enganou e deu-me razão.

A ecografia revelou que o Croquete não ia ser pai.
O que se passava era uma inflamação no intestino.
Ainda não se descobriu ao certo o que a causou, mas, devido à aversão que ele tem a veterinários, não dá para fazer grandes exames sem lhe causar muito stress.

Assim, o tratamento consiste em bastante descanso, mimos e, claro, dar-lhe toda a atenção que ele exige.

25
Jul25

Reflexo imperfeito


In.pata

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O duelo épico

O Croquete adora passear por cima dos móveis — salta entre eles e, às vezes, simplesmente se deita a descansar na secretária.

Numa dessas digressões pela mobília, acabou por ficar sentado na cómoda do meu quarto — daquelas antigas, que ainda têm o espelho incorporado.
O que aconteceu depois é quase inevitável no mundo felino.

Eis que o Croquete dá de caras com alguém muito familiar. Aquele olhar, aquela postura, aquele pelo preto… um impostor!
Fisicamente é muito parecido comigo, pensa o Croquete, mas não tem o meu estilo, a minha elegância.

Pouco tempo depois, encontro o Croquete numa disputa pela sua honra contra o espelho.
Gosto de pensar que ainda deu algum tempo ao “impostor” para abandonar o palco e que, na ausência de uma atitude sensata, teve de partir para a batalha.

Estou eu a observar a épica luta e, para dar mais drama, a imaginar um duelo de cowboys.
Sintam a emoção deste momento:

 

Croquete lança um olhar penetrante sob o seu opositor.
O seu reflexo, como que a provocá-lo, devolve.

Croquete prepara-se para a batalha, levanta a sua arma de eleição — a pata direita.
Eis que algo difere: o seu adversário, claramente, é canhoto e levanta a pata esquerda.

Dá-se início à batalha.
Croquete, em modo boxeur, desfere uma série de ataques — que são devolvidos com a mesma rapidez.

Só um sairá vencedor.

 

Pelo menos, era o que a cena que eu observava pedia.
A realidade foi mais triste. Após vários ataques frustrados, o Croquete simplesmente se afastou.
Não foi uma assunção de derrota.
Foi mais um: por hoje sobrevives.

A partir desse momento, a sua relação com o espelho nunca mais foi a mesma.
Ainda passa por lá várias vezes a verificar se o impostor já se foi embora.
Umas vezes retoma o duelo, outras simplesmente opta por um olhar de desdém.

Já eu, continuo a acompanhar o desenvolvimento deste enredo, com esperança de que o Croquete aceite a presença do seu imitador porque, no fundo, ele sabe:
ninguém — nem mesmo um reflexo — iguala a sua elegância.


 

📚 Se quiseres acompanhar as aventuras do Croquete, podes encontrar a primeira história aqui:
👉 Quero comida!

11
Jul25

Quero comida!


In.pata

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É a frase que o meu gato diria se falasse português.

O problema é que a veterinária dele — não é a minha opinião — acha que ele está gordo.

Tanto eu como o Croquete achamos que é um exagero. Ele só pesa 4,200 kg. Poucochinho.
Ou, como disse o próprio Croquete:

“Não querendo ofender ninguém, há bebés a nascer com mais peso e ninguém se queixa.”

Pelo comentário dele, podem perceber que não ficou lá muito feliz.
Aliás, achou uma falta de delicadeza da veterinária fazer este comentário.

Mas isto ia passando, se não fosse a veterinária acrescentar que eu devia “reduzir a quantidade de ração”.


Apesar dos protestos claros do Croquete, decidi seguir o conselho.
Reduzi a ração. Não foi muito — 5g por dia — mas o Croquete reparou.

O resultado foi um absoluto drama.
Uma encenação digna de um prémio.

Começou a parecer ainda mais esfomeado, comia rápido, pedia mais.
E eu, sem saber muito bem o que fazer.


Quando regressei à clínica para a dose de reforço, contei toda esta novela à veterinária.

Juntas decidimos que a melhor opção seria:

  • alterar a ração (para uma mais nutritiva);
  • e dividir a dose diária em mais refeições ao longo do dia.

Talvez assim o Croquete achasse que estava a receber a mesma quantidade.
A encenação tornou-se mais calma, mas continuou.
Sinto que ele exclamou:

“Mas ainda tenho fome!”


Já meio em desespero, fui em busca de alternativas que não envolvessem reduzir a comida.
Nunca se deve subestimar um gato desesperado.
Sobretudo um gato esfomeado.

Após várias tentativas falhadas com brinquedos e pratos para gatos, encontrei a solução:
um brinquedo dispensador de comida… para cães.

Achei que a espécie não era importante, desde que o resultado fosse o esperado.
E funcionou!


O Croquete, que antes parecia estar numa competição de velocidade alimentar, passou a demorar mais tempo a comer.
Cada vez mais tempo. Ainda é rápido, mas agora já me dá tempo de fazer uma ou outra coisa enquanto ele come.

Para mim, já é uma vitória.
E para ele também — não viu a sua comida reduzida outra vez.


A primeira reação dele não foi tão positiva.
Sobretudo quando percebeu que não se tratava apenas de um brinquedo, mas também do seu novo prato.

Não foi uma fase de boa convivência entre humano e felino.
O brinquedo era olhado com desdém.
A humana, com ar incrédulo.

Quase como se eu tivesse quebrado um tratado selado há gerações entre felinos e humanos.


Agora, já é capaz de identificar algumas vantagens no brinquedo que tanto o chateou.
Principalmente a forma eficaz de comunicação que este permite.

O Croquete aprendeu a dizer que tem fome de forma muito clara:
pega no brinquedo e transporta-o até mim.
Com a boca.
Pousando-o com uma cara de “já está na hora, humana!”


E o vosso gato?

Também tem alguma maneira criativa de pedir comida?

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