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Entre Palavras e Patas

Entre Palavras e Patas: ideias que me acordam de madrugada, pensamentos no trânsito e observações que não saem da cabeça. Histórias tortas, café, reflexões e um gato que manda nisto. Bem-vindo!

29
Out25

Podemos trabalhar muito, mas não perdemos a graça


In.pata

Portugal é um dos países mais engraçados do mundo, perde apenas para a República Checa.
Não sei bem se isto é motivo para celebrar, mas ganhámos alguma coisa. Essas coisas são sempre motivo de orgulho, mesmo quando nem são assim tão boas.

Num estudo feito com 30 países, os primeiros lugares ficaram para a República Checa, Portugal, Irlanda, Chile e Grécia.
Se olharmos para os tipos de humor avaliados, é fácil perceber porque ficámos tão bem classificados.

As perguntas focavam-se em quatro estilos de humor:

🐾 o relacional, aquele que aproxima as pessoas, fácil de partilhar;

🐾 o de autovalorização, o que nos permite manter o otimismo;

🐾 o autodepreciativo, quando gozamos connosco;

🐾 e o agressivo, aquele sarcasmo que, admitamos, tanto adoramos.

Portugal ficou em 3.º lugar no humor relacional e em 5.º no agressivo — nada de surpreendente, segundo o estudo, tendo em conta a nossa reputação de inteligência emocional e a rapidez com que soltamos uma piada.
Tão natural que às vezes nem nos apercebemos que a fizemos até alguém se rir.

Em contrapartida, num estudo sobre o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, Portugal teve 54 pontos em 100 e ficou em 8.º entre 22 países.

Não se pode ser bom em tudo.
Às vezes é preciso deixar os outros ganharem — até porque nada melhor que o trabalho para nos fazer soltar aquele sarcasmo tão característico.

11
Jul25

Quero comida!


In.pata

Adicionar algum texto do corpo.png

É a frase que o meu gato diria se falasse português.

O problema é que a veterinária dele — não é a minha opinião — acha que ele está gordo.

Tanto eu como o Croquete achamos que é um exagero. Ele só pesa 4,200 kg. Poucochinho.
Ou, como disse o próprio Croquete:

“Não querendo ofender ninguém, há bebés a nascer com mais peso e ninguém se queixa.”

Pelo comentário dele, podem perceber que não ficou lá muito feliz.
Aliás, achou uma falta de delicadeza da veterinária fazer este comentário.

Mas isto ia passando, se não fosse a veterinária acrescentar que eu devia “reduzir a quantidade de ração”.


Apesar dos protestos claros do Croquete, decidi seguir o conselho.
Reduzi a ração. Não foi muito — 5g por dia — mas o Croquete reparou.

O resultado foi um absoluto drama.
Uma encenação digna de um prémio.

Começou a parecer ainda mais esfomeado, comia rápido, pedia mais.
E eu, sem saber muito bem o que fazer.


Quando regressei à clínica para a dose de reforço, contei toda esta novela à veterinária.

Juntas decidimos que a melhor opção seria:

  • alterar a ração (para uma mais nutritiva);
  • e dividir a dose diária em mais refeições ao longo do dia.

Talvez assim o Croquete achasse que estava a receber a mesma quantidade.
A encenação tornou-se mais calma, mas continuou.
Sinto que ele exclamou:

“Mas ainda tenho fome!”


Já meio em desespero, fui em busca de alternativas que não envolvessem reduzir a comida.
Nunca se deve subestimar um gato desesperado.
Sobretudo um gato esfomeado.

Após várias tentativas falhadas com brinquedos e pratos para gatos, encontrei a solução:
um brinquedo dispensador de comida… para cães.

Achei que a espécie não era importante, desde que o resultado fosse o esperado.
E funcionou!


O Croquete, que antes parecia estar numa competição de velocidade alimentar, passou a demorar mais tempo a comer.
Cada vez mais tempo. Ainda é rápido, mas agora já me dá tempo de fazer uma ou outra coisa enquanto ele come.

Para mim, já é uma vitória.
E para ele também — não viu a sua comida reduzida outra vez.


A primeira reação dele não foi tão positiva.
Sobretudo quando percebeu que não se tratava apenas de um brinquedo, mas também do seu novo prato.

Não foi uma fase de boa convivência entre humano e felino.
O brinquedo era olhado com desdém.
A humana, com ar incrédulo.

Quase como se eu tivesse quebrado um tratado selado há gerações entre felinos e humanos.


Agora, já é capaz de identificar algumas vantagens no brinquedo que tanto o chateou.
Principalmente a forma eficaz de comunicação que este permite.

O Croquete aprendeu a dizer que tem fome de forma muito clara:
pega no brinquedo e transporta-o até mim.
Com a boca.
Pousando-o com uma cara de “já está na hora, humana!”


E o vosso gato?

Também tem alguma maneira criativa de pedir comida?

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